O mercado de streaming se mostrou a galinha dos ovos de ouro não apenas para a indústria musical como para anunciantes e marcas. Mas como ficou imortalizado na televisão brasileira, quem sabe faz ao vivo!

Isso ficou bem claro nas primeira transmissões do período de isolamento social, onde artistas renomados da música pareciam forçados ou até mesmo não sabiam como se portar frente às câmeras para um público que não estava realmente lá. Tudo parecia muito artificial o tempo todo, os inserts, os intervalos até mesmo as músicas e recados pareciam plásticos, feito sob medida para desesperadamente vender o formato como um produto.

Entre interações forçadas e despreparo total para esse novo mundo de apresentações frente câmeras em um quarto “vazio”,  existe uma comunidade onde não só isso é comum como faz parte de sua cultura a frase: “Todos podem fazer”. Em meados de 2010 com a Justin.Tv (futura Twitch)  nasceu a cultura entre os gamers de gravar, compartilhar e claro transmitir suas sessões de jogatinas.

Mas no fim do dia o que essa cultura tinha de tão diferente que, mesmo hoje 13 anos depois do advento da primeira plataforma, grandes empresas e artistas tropeçam em passos que até pequenos streamers tiram de letra?

No início o novo mercado de transmissões também cometeu muitos muitos erros, bem semelhantes ao que vemos hoje, mas em escala menor por ser um mercado muito nichado. Para que os formatos e linguagens fossem concretizados, os criadores de conteúdo tiveram que trabalhar colaborativamente, se ajudando e colaborando em conteúdos, participando das transmissões uns dos outros. Assim criando suas próprias micro comunidades que em conjunto formavam uma única comunidade e sua plataforma que deixou de apenas ser uma plataforma de vídeo, acabou se tornando uma rede social de distribuição de conteúdo, onde todos podiam e eram incentivados a criar mais e criar melhor.

As comunidades com o tempo foram crescendo e tomando forma, criando suas próprias subculturas além da cultura da plataforma. Os usuários deixaram de apenas escrever “kappa” para denotar ironia e começaram a falar em seu dia a dia. A cultura transcendeu a plataforma de muitas maneiras. E claro com isso os produtos específicos dessa cultura passaram a ser mais buscados, vemos hoje, marcas de mobiliário corporativo entrando nesse mercado com linhas gamers para mesas e cadeiras. Marcas de periféricos passaram a investir nas linhas de alto desempenho.

E agora onde e como o mercado musical pode aprender com o passado das transmissões de games? Podem começar com colaborações com suas comunidades em apresentações menores pode ser uma saída. Outro ponto seria mais presença nas plataformas, tanto em periodicidade das transmissões quanto em divulgação, por muitas vezes as transmissões foram anunciadas com apenas um ou dois dias de antecedência.

E claro como estamos em 2020 a indústria pode contar com equipes especializadas em estrutura e gerenciamento de transmissões.